Existe uma caixinha, pequena e delicada, que passa a maior parte do tempo guardada. Praticamente escondida, a salvo da umidade, do calor e das pessoas, dentro de um cofre de combinação absurda e inimaginável.
Então, aparece alguém. Alguém diferente dos outros, que te deixa segura o suficiente para retirar a caixinha de seu lugar. Mesmo que aos poucos, por receio ou dúvida. Desse modo, você coloca o pacote no meio das coisas desse alguém, sem comentar. Porque não precisa - o mais importante é a mudança, notada por ambos.
O problema é que, em algum momento, essa pessoa talvez não queira mais sua caixinha ou só não goste mais de vê-la entre seus objetos, porque não combinam. E você voltará para casa com o embrulho na mão, todo amassado, destruído.
A partir daí, será preciso reformar a caixinha, deixá-la bonita e delicada novamente. É um pouco demorado e trabalhoso, mas possível.
Quando ela estiver pronta de novo, guarde e espere por outro alguém que a aceite. Repita o processo o quanto for necessário. Ou o quanto você aguentar e ainda acreditar na entrega dessa caixinha.
Premissa e Conclusão
Uma premissa de mim, de tudo e de nada, chegando a nenhuma conclusão.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Uma ilha
Uma ilha perdida no mundo, sem grandes atrativos visuais e turísticos; por isso mesmo, abandonada. E o abandono não fez dali um paraíso. Pelo contrário, transformou todo o lugar numa completa falta de vida.
Os dias eram sempre cinzentos, nublados, de uma garoa fina e persistente. Não fazia frio nem calor - era um clima indefinido, como se até para com isso a ilha demonstrasse descaso.
Por algum motivo desconhecido, não cresciam flores nem árvores, apenas um punhado de mato disforme aqui e ali, sem muita força para se espalhar. Os animais, raros, viviam escondidos, seja por sua feiúra ou por sua aversão ao que, infelizmente, era seu habitat.
Exceto pelo barulho do vento teimoso que ia e vinha em todas as direções, tudo era silencioso e inexpressivo por ali. Um lugar ao acaso, sem propósito, desanimador e um pouco cruel em sua indiferença para com a vida.
Nesse ambiente hostil, estava ela sentada num ponto qualquer da ilha, como todos ali o eram. Encolhida, como se quisesse criar um casulo protetor com seu próprio corpo. Porque era tudo o que tinha ali, depois e mais além. E, apesar da posição desconfortável, ela não sentia dor. Simplesmente não sentia nada.
Por vezes, pensou que o nada fosse o que chamam de paz. Mas notou que o nada era difícil, incômodo e desagradável. Jamais poderia, entretanto, descrever o nada. O nada era a ilha, ela, tudo o que conhecia e sentia. Ou simplesmente era a falta de todos os sentidos, coisas que já não mais a pertenciam.
Um dia, decidiu não pensar, até mesmo sobre o nada. E a ausência de tudo foi tornando-a pesada e inativa. Desde então, permanece encolhida. Quieta, ausente, rodeada pela falta de vida da ilha.
A ilha que alguns chamam de solidão.
Os dias eram sempre cinzentos, nublados, de uma garoa fina e persistente. Não fazia frio nem calor - era um clima indefinido, como se até para com isso a ilha demonstrasse descaso.
Por algum motivo desconhecido, não cresciam flores nem árvores, apenas um punhado de mato disforme aqui e ali, sem muita força para se espalhar. Os animais, raros, viviam escondidos, seja por sua feiúra ou por sua aversão ao que, infelizmente, era seu habitat.
Exceto pelo barulho do vento teimoso que ia e vinha em todas as direções, tudo era silencioso e inexpressivo por ali. Um lugar ao acaso, sem propósito, desanimador e um pouco cruel em sua indiferença para com a vida.
Nesse ambiente hostil, estava ela sentada num ponto qualquer da ilha, como todos ali o eram. Encolhida, como se quisesse criar um casulo protetor com seu próprio corpo. Porque era tudo o que tinha ali, depois e mais além. E, apesar da posição desconfortável, ela não sentia dor. Simplesmente não sentia nada.
Por vezes, pensou que o nada fosse o que chamam de paz. Mas notou que o nada era difícil, incômodo e desagradável. Jamais poderia, entretanto, descrever o nada. O nada era a ilha, ela, tudo o que conhecia e sentia. Ou simplesmente era a falta de todos os sentidos, coisas que já não mais a pertenciam.
Um dia, decidiu não pensar, até mesmo sobre o nada. E a ausência de tudo foi tornando-a pesada e inativa. Desde então, permanece encolhida. Quieta, ausente, rodeada pela falta de vida da ilha.
A ilha que alguns chamam de solidão.
sábado, 24 de dezembro de 2011
Ultimamente, o que mais sufoca é o vazio, a falta de.
Até aqui, onde fiquei sem palavras, sem coragem, sem ideias.
Como a gente faz para se preencher, seja lá do que for?
Como a gente faz para se preencher, seja lá do que for?
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Mergulho
Observou por dias, perdida em pensamentos sobre curiosidades, sentimentos e sentidos. Analisou cada tonalidade, sorveu cada fragrância, experimentou cada textura, saboreou cada gosto, escutou cada ruído e, nas últimas horas, viu essências coloridas que rasgavam a carne com sabores adocicados.
Por conta delas, levantou-se, impulsiva e cautelosa. Correu com leveza ao encontro dessas sensações ou ao encontro de si, porque tudo era também parte dela. A cada passo, dissolvia-se e integrava-se, ao mesmo tempo em que completava-se e unificava-se. Seu corpo, então, virou o mundo inteiro e ela sentiu todas as formas de vida dentro de si. Uma tormenta deliciosa de cotidianos que criou nela um novo ser, agora singular e renovado.
De repente, perdeu o equilíbrio. Foi tragada, envolvida e submergiu. Mas, ainda que sem fôlego e força, tornava-se mais intensa e vivaz. Parecia voar, quando na realidade afundava. E a gradual profundidade - apesar de também constituída de segredo, beleza e extravagância - era sinônimo de ausência. Ausência de oxigênio, de controle, de si mesma.
Assim, desistiu e se entregou. Deixou-se cair na escuridão. Uma escuridão serena.
Morreu afogada. Ou morreu de amor.
Por conta delas, levantou-se, impulsiva e cautelosa. Correu com leveza ao encontro dessas sensações ou ao encontro de si, porque tudo era também parte dela. A cada passo, dissolvia-se e integrava-se, ao mesmo tempo em que completava-se e unificava-se. Seu corpo, então, virou o mundo inteiro e ela sentiu todas as formas de vida dentro de si. Uma tormenta deliciosa de cotidianos que criou nela um novo ser, agora singular e renovado.
De repente, perdeu o equilíbrio. Foi tragada, envolvida e submergiu. Mas, ainda que sem fôlego e força, tornava-se mais intensa e vivaz. Parecia voar, quando na realidade afundava. E a gradual profundidade - apesar de também constituída de segredo, beleza e extravagância - era sinônimo de ausência. Ausência de oxigênio, de controle, de si mesma.
Assim, desistiu e se entregou. Deixou-se cair na escuridão. Uma escuridão serena.
Morreu afogada. Ou morreu de amor.
domingo, 3 de abril de 2011
Sofrer
Feche os olhos (pesados) e sinta cada pedaço em que você se transformou. Cacos, por assim dizer, como vestígios de um vaso de porcelana outrora apresentável. Perceba seu corpo quebrando: mutilado, lentamente se partindo em milímetros, de forma penosa e sem reconstituição.
Sinta aquele vapor escuro e corrosivo que enche o peito e vai silenciosamente tomando conta das suas células, ganhando consistência de uma massa disforme e pesada, até virar líquida e transparente ao cair dos olhos. Ouça sua respiração perdida e o oxigênio que lamenta a pouca força com que você enche os pulmões de ar - por descaso ou cansaço.
Abra os olhos e note que você não pode enxergar. Tudo que vê são manchas disformes e a poeira de si que cai descuidosamente no chão, deixando vestígios da demolição interior. Ao cerrar as pálpebras, entretanto, observe-se numa análise minuciosa. Ao fazê-lo, veja tudo o que um dia foi, o que outras pessoas esperaram que fosse e o que desejou ser.
E então seus músculos vão fraquejar e cada terminação nervosa provocará choques de intensidade insuportável, desumana. Suas cordas vocais vão agir quase sozinhas e sua boca produzirá um grito mudo, porque, apesar disso, não há voz.
Esse grito vai voltar para dentro de você e rasgar qualquer tecido que encontrar, provocando-lhe as papilas gustativas a sentir um gosto amargo e nojento que causará ânsia. O que você vomitará, contudo, serão sonhos perdidos, ódios inexplicáveis, mágoas trancafiadas e fracassos iminentes.
O enjoo, nesse momento, cederá lugar à sensação de falência múltipla dos órgãos. Acreditará que morreu por dentro, mas a persistente dor lhe mostrará que ainda vive. Mesmo que frágil, danificado - ainda vive.
Essa esperança vaga e sádica tomará conta de você e funcionará como um tipo de anestesia, adormecendo cada pedaço dos seus escombros. Por fim, terá sonhos intranquilos e incrivelmente reais.
No dia seguinte, porém, tudo isso será menos pior. Ou assim espera-se.
Sinta aquele vapor escuro e corrosivo que enche o peito e vai silenciosamente tomando conta das suas células, ganhando consistência de uma massa disforme e pesada, até virar líquida e transparente ao cair dos olhos. Ouça sua respiração perdida e o oxigênio que lamenta a pouca força com que você enche os pulmões de ar - por descaso ou cansaço.
Abra os olhos e note que você não pode enxergar. Tudo que vê são manchas disformes e a poeira de si que cai descuidosamente no chão, deixando vestígios da demolição interior. Ao cerrar as pálpebras, entretanto, observe-se numa análise minuciosa. Ao fazê-lo, veja tudo o que um dia foi, o que outras pessoas esperaram que fosse e o que desejou ser.
E então seus músculos vão fraquejar e cada terminação nervosa provocará choques de intensidade insuportável, desumana. Suas cordas vocais vão agir quase sozinhas e sua boca produzirá um grito mudo, porque, apesar disso, não há voz.
Esse grito vai voltar para dentro de você e rasgar qualquer tecido que encontrar, provocando-lhe as papilas gustativas a sentir um gosto amargo e nojento que causará ânsia. O que você vomitará, contudo, serão sonhos perdidos, ódios inexplicáveis, mágoas trancafiadas e fracassos iminentes.
O enjoo, nesse momento, cederá lugar à sensação de falência múltipla dos órgãos. Acreditará que morreu por dentro, mas a persistente dor lhe mostrará que ainda vive. Mesmo que frágil, danificado - ainda vive.
Essa esperança vaga e sádica tomará conta de você e funcionará como um tipo de anestesia, adormecendo cada pedaço dos seus escombros. Por fim, terá sonhos intranquilos e incrivelmente reais.
No dia seguinte, porém, tudo isso será menos pior. Ou assim espera-se.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Mimimi
Escrevi isso para concorrer a uma vaga de estágio numa agência bem bacana aí. Pode parecer meio forçado ou bobo, mas é realmente o que penso e o que defendo.
Num mundo de tão vastas possibilidades, considerei fácil a minha escolha pelo Design. Não apenas porque gostava de desenhar, de explorar minhas ideias e criatividade, mas também pela possibilidade de projetar pequenas soluções de grande alcance.
Entre tantas ciências e tecnologias atuais, ainda é de responsabilidade do designer a criação de linguagens, projetos e produtos pertencentes à rotina de cada uma das pessoas que consomem e moldam o mercado. Desse modo, há uma troca que envolve os anseios desse público e o prazer daquele profissional em realizar algo de qualidade, de forma a trazer um retorno positivo por ser inovador, interessante e resolutivo.
E esse retorno, por sua conta, chega até ele só depois de influir e mudar o padrão, a visão e o comportamento vigentes. O que pode parecer apenas um cartaz, uma embalagem ou uma identidade visual carrega em si, na realidade, o potencial e a capacidade de acrescentar ou aperfeiçoar as pequenas experiências cotidianas, por mais banais e irrelevantes que elas possam ser consideradas à primeira vista.
Essas criações, portanto, não podem ser somente meio ou divulgação de consumo. Cada solução projetada deve, acima de qualquer coisa, transformar o difícil em simples, o maçante em divertido, o distante em acessível e assim por diante.
O designer, em vista disso, tem o papel de transformar a vida de cada pessoa em algo melhor, dos pequenos aos grandes detalhes.
Num mundo de tão vastas possibilidades, considerei fácil a minha escolha pelo Design. Não apenas porque gostava de desenhar, de explorar minhas ideias e criatividade, mas também pela possibilidade de projetar pequenas soluções de grande alcance.
Entre tantas ciências e tecnologias atuais, ainda é de responsabilidade do designer a criação de linguagens, projetos e produtos pertencentes à rotina de cada uma das pessoas que consomem e moldam o mercado. Desse modo, há uma troca que envolve os anseios desse público e o prazer daquele profissional em realizar algo de qualidade, de forma a trazer um retorno positivo por ser inovador, interessante e resolutivo.
E esse retorno, por sua conta, chega até ele só depois de influir e mudar o padrão, a visão e o comportamento vigentes. O que pode parecer apenas um cartaz, uma embalagem ou uma identidade visual carrega em si, na realidade, o potencial e a capacidade de acrescentar ou aperfeiçoar as pequenas experiências cotidianas, por mais banais e irrelevantes que elas possam ser consideradas à primeira vista.
Essas criações, portanto, não podem ser somente meio ou divulgação de consumo. Cada solução projetada deve, acima de qualquer coisa, transformar o difícil em simples, o maçante em divertido, o distante em acessível e assim por diante.
O designer, em vista disso, tem o papel de transformar a vida de cada pessoa em algo melhor, dos pequenos aos grandes detalhes.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Da calçada, sonha-se
O sol vencia a sombra invernal dos prédios e árvores, delimitando um pequeno espaço claro e quente naquela calçada irregular. Uma infinidade de pessoas iam e vinham como zumbis: senhoras idosas em busca de resquícios de vida na rua, mulheres bem vestidas e de séria sensualidade, homens de passos duros numa afirmação de masculinidade, crianças que arrastavam os pés na tentativa de acompanhar o ritmo dos adultos, tão focados em seus destinos.
E tão focados estavam - ou assim eram permanentemente - que sequer notavam pedaços de pano velho e células destruídas jogadas no chão, naquela fresta de sol. Vez ou outra, os pés cheios de bolhas e sujeira atrapalhavam a caminhada de algum transeunte, que gastava alguns segundos do seu dia para definir aquele corpo desfalecido como de bêbado ou para oferecer-lhe uma dose homeopática de compaixão.
Quem de fato notava a existência daquele homem, entretanto, eram as formigas que faziam de seu rosto parte do trajeto comunitário e os ácaros que dividiam com ele o tecido desbotado cobrindo aquela pele manchada - de sol, de sujeira e de dor.
Mas ali, deitado em posição fetal, sob o calor sutil dos fracos raios luminosos, ele era outro. Um outro que existia de forma tão convincente em seus devaneios que ele, o resto de ser humano real, conseguia sentir os cheiros, as texturas e os sabores de ser alguém digno e notável.
E o Outro era mais que isso. Porque além de limpo, bem tratado, saudável, belo e elegante, era poderoso, rico, sábio e invejado. Tinha o mundo a seus pés; jamais os seus pés estariam ali, chutados pelo mundo. Ria com todos os dentes e com todas as razões. Comandava multidões com um olhar incisivo e impunha suas decisões com um único gesto. Era mais que um homem.
Naquele momento, o Outro degustava um jantar requintado, servido por belas mulheres e acompanhado por rapazes brilhantes que esperavam uma palavra sua. Tinha ao seu alcance todas as invenções mais impressionantes, as bebidas mais elaboradas e os mais diversos títulos literários, bons e ruins. Depois do banquete, poderia admirar os jardins gigantescos e bem cuidados de sua casa, enquanto observava os limites de suas conquistas e a chuva fina que decorava as pétalas das flores.
Enquanto isso, o homem caído na calçada agitava-se sob uma chuva fria vinda inesperadamente, molhando os vestígios de roupa marcados pelas próprias fezes.
E tão focados estavam - ou assim eram permanentemente - que sequer notavam pedaços de pano velho e células destruídas jogadas no chão, naquela fresta de sol. Vez ou outra, os pés cheios de bolhas e sujeira atrapalhavam a caminhada de algum transeunte, que gastava alguns segundos do seu dia para definir aquele corpo desfalecido como de bêbado ou para oferecer-lhe uma dose homeopática de compaixão.
Quem de fato notava a existência daquele homem, entretanto, eram as formigas que faziam de seu rosto parte do trajeto comunitário e os ácaros que dividiam com ele o tecido desbotado cobrindo aquela pele manchada - de sol, de sujeira e de dor.
Mas ali, deitado em posição fetal, sob o calor sutil dos fracos raios luminosos, ele era outro. Um outro que existia de forma tão convincente em seus devaneios que ele, o resto de ser humano real, conseguia sentir os cheiros, as texturas e os sabores de ser alguém digno e notável.
E o Outro era mais que isso. Porque além de limpo, bem tratado, saudável, belo e elegante, era poderoso, rico, sábio e invejado. Tinha o mundo a seus pés; jamais os seus pés estariam ali, chutados pelo mundo. Ria com todos os dentes e com todas as razões. Comandava multidões com um olhar incisivo e impunha suas decisões com um único gesto. Era mais que um homem.
Naquele momento, o Outro degustava um jantar requintado, servido por belas mulheres e acompanhado por rapazes brilhantes que esperavam uma palavra sua. Tinha ao seu alcance todas as invenções mais impressionantes, as bebidas mais elaboradas e os mais diversos títulos literários, bons e ruins. Depois do banquete, poderia admirar os jardins gigantescos e bem cuidados de sua casa, enquanto observava os limites de suas conquistas e a chuva fina que decorava as pétalas das flores.
Enquanto isso, o homem caído na calçada agitava-se sob uma chuva fria vinda inesperadamente, molhando os vestígios de roupa marcados pelas próprias fezes.
sábado, 5 de março de 2011
Meme Literário
Desatenta que sou, só fui me dar conta de que fui indicada para um meme - ou questionário - pelo Bruno Portella (sem piadas vergonhosas com escolas de samba, que isso só eu posso fazer) agora, dias depois.
Ele é um querido, inventor do Desafio Sanduba que me fez ganhar vários livros legais em edições lindas, que antes iriam para o sebo. E tem o Sanduba de Queijo, blog que acompanho e indico, pela qualidade e variedade dos textos (a série Tormenta tá ótima!).
Enfim, sem mais delongas. Ele me indicou, como já disse, para esse meme literário de 3 perguntas e como eu adoro responder coisas (de testes toscos a questionários socioeconômicos), não vai ser esforço algum. Vamos lá...
1. Existe um livro que você leria muitas e muitas vezes sem se cansar? Qual?
Dom Casmurro. Já li 3 vezes, mas nunca me canso. Acho a complexidade de Bentinho tão instigante, tão envolvente! E a confusão da sua mente - na minha opinião, doentia - é algo que faz com que duvidemos de tudo, até mesmo da forma como interpretamos as outras leituras do livro durante uma nova. Coisas que só Machado de Assis é capaz.
2. Se você pudesse escolher apenas um livro para ler o resto de sua vida, qual escolheria?
Que pergunta difícil... Sou um tanto desesperada e apegada com livros, então seria um esforço absurdo escolher uma única obra para o resto da vida. Além disso, uma escolha dessas exige uma história atemporal e que nos acrescente algo novo a cada vez que seja lida.
Pensando muito aqui (e depois de ficar na dúvida também entre Crime e Castigo e A Insustentável Leveza do Ser), acho que me decidiria por 1984, do Orwell. O tema sempre vai ser atual e o livro diz muito das coisas que buscamos, dos nossos anseios e nossas fraquezas, nos deixando aquele gosto meio amargo da desilusão e um pouco doce dos sonhos idealistas.
3. Indique um livro para que os outros possam ler.
Mais fácil seria uma lista, enorme. Mas agora indicaria Blecaute, do Marcelo Rubens Paiva, uma história apocalíptica em plena São Paulo, transformada numa metrópole deserta, com pessoas paralisadas como estátuas e restando apenas 3 jovens, que precisam sobreviver sozinhos, sabe-se lá de que forma.
4. Indique 10 blogs para responder este Meme.
Não vou indicar 10, mas se alguém que não estiver na lista abaixo quiser participar, sinta-se à vontade!
Café e Rascunhos
Certas Coisas que eu não sei Dizer
O Sal no meu Sorriso
Ele é um querido, inventor do Desafio Sanduba que me fez ganhar vários livros legais em edições lindas, que antes iriam para o sebo. E tem o Sanduba de Queijo, blog que acompanho e indico, pela qualidade e variedade dos textos (a série Tormenta tá ótima!).
Enfim, sem mais delongas. Ele me indicou, como já disse, para esse meme literário de 3 perguntas e como eu adoro responder coisas (de testes toscos a questionários socioeconômicos), não vai ser esforço algum. Vamos lá...
1. Existe um livro que você leria muitas e muitas vezes sem se cansar? Qual?
Dom Casmurro. Já li 3 vezes, mas nunca me canso. Acho a complexidade de Bentinho tão instigante, tão envolvente! E a confusão da sua mente - na minha opinião, doentia - é algo que faz com que duvidemos de tudo, até mesmo da forma como interpretamos as outras leituras do livro durante uma nova. Coisas que só Machado de Assis é capaz.
2. Se você pudesse escolher apenas um livro para ler o resto de sua vida, qual escolheria?
Que pergunta difícil... Sou um tanto desesperada e apegada com livros, então seria um esforço absurdo escolher uma única obra para o resto da vida. Além disso, uma escolha dessas exige uma história atemporal e que nos acrescente algo novo a cada vez que seja lida.
Pensando muito aqui (e depois de ficar na dúvida também entre Crime e Castigo e A Insustentável Leveza do Ser), acho que me decidiria por 1984, do Orwell. O tema sempre vai ser atual e o livro diz muito das coisas que buscamos, dos nossos anseios e nossas fraquezas, nos deixando aquele gosto meio amargo da desilusão e um pouco doce dos sonhos idealistas.
3. Indique um livro para que os outros possam ler.
Mais fácil seria uma lista, enorme. Mas agora indicaria Blecaute, do Marcelo Rubens Paiva, uma história apocalíptica em plena São Paulo, transformada numa metrópole deserta, com pessoas paralisadas como estátuas e restando apenas 3 jovens, que precisam sobreviver sozinhos, sabe-se lá de que forma.
4. Indique 10 blogs para responder este Meme.
Não vou indicar 10, mas se alguém que não estiver na lista abaixo quiser participar, sinta-se à vontade!
Café e Rascunhos
Certas Coisas que eu não sei Dizer
O Sal no meu Sorriso
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Invisível
Ele estava forte, imponente e cheio de coragem. Decidido a mostrar sua soberania e derrubar o que estivesse à sua frente. Arrebatador, sentia o mundo fragilizado por sua influência, por sua existência.
A destruição tornara-se deliciosa e causá-la era um prazer absurdo, embora questionável. Construir poderia ser até grandioso, mas levar as coisas ao fim, sem chance de reação ou reconstrução, era a melhor sensação que ele havia experimentado.
Atravessou ruas, praças, estradas e campos com uma virilidade que não cabia a mais ninguém. Ao atingir fronteiras distantes e inimagináveis, cansou-se. Ficou suave, tranquilo de sua força depois de gozar do poder que ela lhe concedeu. Acreditou que essa era parte da sabedoria dos grandes reis, dos verdadeiros déspotas. Via-se, então, como ser onipresente e intocável, inatingível aos outros seres comuns.
Seu orgulho cego, porém, foi mutilado no instante em que a viu. O oposto de sua imponência, ela era doce, frágil e todos os outros clichês pertinentes a quem – supostamente – tem a capacidade de permitir que um poderoso ouse ou se deixe amar.
E ele amou com vontade e com louvor, impondo toda sua intensidade numa relação que só ele cultivava. Ia todos os dias ao encontro dela, naquela árvore num canto da tímida fazenda. Nunca soube o que ela fazia naquelas manhãs, até porque parecia sempre fazer nada. Mas mentia para si mesmo, alegando que ao sentar ali cotidianamente, ela apenas fingia não vê-lo, num jogo de aproximação a partir da distância.
Com o tempo, decorou cada pedaço da sua pele e todas as fragrâncias que ela produzia naquele corpo delicado. Deslizava suave e discreto por seu cabelo ou por sua nuca arrepiada e a envolvia por completo, fazendo com que ela fosse sua, mesmo sem saber.
E apesar de a cada dia conhecê-la e senti-la mais, entendeu que jamais ela o enxergaria. Existia uma total indiferença, mesmo que aquela mulher percebesse sua existência. Mas não era o suficiente; e jamais seria.
Nesse dia, o desiludido decidiu ir embora. Nada mais restara daquele que um dia fora cruel, forte e poderoso. E nunca mais ele, o Vento, soprou as folhas daquela árvore sob a qual a moça descansava nas manhãs.
A destruição tornara-se deliciosa e causá-la era um prazer absurdo, embora questionável. Construir poderia ser até grandioso, mas levar as coisas ao fim, sem chance de reação ou reconstrução, era a melhor sensação que ele havia experimentado.
Atravessou ruas, praças, estradas e campos com uma virilidade que não cabia a mais ninguém. Ao atingir fronteiras distantes e inimagináveis, cansou-se. Ficou suave, tranquilo de sua força depois de gozar do poder que ela lhe concedeu. Acreditou que essa era parte da sabedoria dos grandes reis, dos verdadeiros déspotas. Via-se, então, como ser onipresente e intocável, inatingível aos outros seres comuns.
Seu orgulho cego, porém, foi mutilado no instante em que a viu. O oposto de sua imponência, ela era doce, frágil e todos os outros clichês pertinentes a quem – supostamente – tem a capacidade de permitir que um poderoso ouse ou se deixe amar.
E ele amou com vontade e com louvor, impondo toda sua intensidade numa relação que só ele cultivava. Ia todos os dias ao encontro dela, naquela árvore num canto da tímida fazenda. Nunca soube o que ela fazia naquelas manhãs, até porque parecia sempre fazer nada. Mas mentia para si mesmo, alegando que ao sentar ali cotidianamente, ela apenas fingia não vê-lo, num jogo de aproximação a partir da distância.
Com o tempo, decorou cada pedaço da sua pele e todas as fragrâncias que ela produzia naquele corpo delicado. Deslizava suave e discreto por seu cabelo ou por sua nuca arrepiada e a envolvia por completo, fazendo com que ela fosse sua, mesmo sem saber.
E apesar de a cada dia conhecê-la e senti-la mais, entendeu que jamais ela o enxergaria. Existia uma total indiferença, mesmo que aquela mulher percebesse sua existência. Mas não era o suficiente; e jamais seria.
Nesse dia, o desiludido decidiu ir embora. Nada mais restara daquele que um dia fora cruel, forte e poderoso. E nunca mais ele, o Vento, soprou as folhas daquela árvore sob a qual a moça descansava nas manhãs.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Selo de Qualidade

Estava eu devorando os "1000+" do Reader, quando vi que o Cláudio, aquele LINDO, me indicou através do blog dele - O Sal no Meu Sorriso - para receber esse selo de qualidade. Muito obrigada, querido!
E eu só não indico uns blogs pra receber o selo porque todos os que eu acompanho e gosto já foram indicados. haha
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