domingo, 13 de abril de 2008

Um pouco de ficção.

O sol esquentava a cama e o seu rosto, mas a preguiça era maior e por isso ela continuava deitada. Empurrou o lençol para mais longe e observou a claridade que batia em suas pernas. Sentiu vontade de sorrir, sem motivo aparente. Olhou o relógio: já era hora de levantar, afinal um dia longo e atarefado a esperava ansiosamente.
Fez tudo como de costume, mas lhe parecia que cada aspecto do seu dia-a-dia - por mais simples que fosse - mostrava-se mais colorido, intenso e prazeroso. Foi para a rua, pegar aquele caminho tão rotineiro e sem graça. Surpreendeu-se, porém, com uma cidade que mostrava-se mais bonita. Até o ônibus cheio lhe pareceu menos penoso.
E desse modo as horas foram passando. A noite chegou e ela despediu-se de suas obrigações. Voltou para casa, tomou um banho e então sentou no sofá, com uma caneca de leite gelado na mão. Olhou para o lado e lá estava o telefone. Apertou o botão da secretária eletrônica, recostou-se no sofá e fechou os olhos, enquanto esperava a voz mecânica terminar sua fala programada. Nesse momento, enfim, a voz dele ecoou pela sala. Suas palavras tão bobas e comuns ganharam asas e começaram a dançar por todo o aposento.
O som de bip avisou que chegara o fim da mensagem. Ela abriu os olhos e deu de cara com seu reflexo na mesinha de centro. Tinha ares de criança e um sorriso inconsciente estampados no rosto. Colocou a caneca sobre o móvel, apagou a luz e deitou no sofá. Logo adormeceu.

De repente, acordou. Olhou para os lados e estava no quarto de hospital, de volta ao seu verdadeiro mundo. Fora tudo um sonho, lembranças de um passado recente que ela queria de volta.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Aquilo que restou do que se foi

Era um sábado comum, mas terminou com a visão brutal da morte. Um instante, um momento insignificante na História - e a renúncia de uma vida ainda jovem, num impulso que eu diria ser de muita coragem.
Ainda relembro inconscientemente aqueles segundos perturbadores e sinto aquele cheiro repugnante nas horas mais impróprias. Sentidos que surgem durante o dia, durante o sono... A todo instante, trazendo recordações indesejáveis.
Não sei por quais motivos aquele rapaz sem rosto e sem identidade decidiu fugir. Não tenho intenções de julgá-lo, de criticá-lo ou de me colocar em seu lugar. O livre-arbítrio nos foi dado para usarmos da maneira que melhor nos conviesse. E a única coisa que posso afirmar é que naquele instante a fuga era a melhor saída que ele enxergava.
Foi uma experiência atormentadora que ficará incrustada por bastante tempo em mim. Ou quem sabe permanecerá sempre aqui, surgindo em momentos aleatórios da minha vida. O fato inegável é que eu mudei de certa maneira o meu jeito de olhar o mundo, pelo menos por enquanto. Quero viver, no sentido mais literal que a palavra possa ter.

Mas resta ainda uma pergunta: quão fina é a linha que separa a nossa sanidade mental do desespero enlouquecedor?

sábado, 16 de fevereiro de 2008

"Prestuplenie I Nakazanie"


Sabe quando vc lê a última página de um livro e sente vontade de voltar 'pra' primeira e recomeçá-lo? Crime e Castigo fez isso comigo.

No começo, empaquei um pouco. Perdia o foco. Não por desinteresse ou chatice da obra, mas porque estava ansiosa demais com outras coisas que me roubavam a atenção. Depois que essa "fase" passou, retomei a leitura - e com todo gás. Estar de férias ajudou bastante, pois me deu a possibilidade de devorar aquela história com fervor. E esses termos que eu usei na última frase não são exagero. :]
Em algumas partes, me senti mal de verdade enquanto lia. A situação angustiante do personagem principal(Rodion Românovitch Raskólhnikov) me atingiu em inúmeros momentos, a ponto de me causar aflição e de fazer eu me sentir acuada e enclausurada. Mas não sei se isso é um efeito natural pra quem lê ou se só aconteceu comigo, que sou meio suscetível em relação a essas coisas.
O fato é que Dostoiévski me mostrou como a culpa e/ou o arrependimento são capazes de punir o ser humano, muito mais do que qualquer outra forma de castigo imposto pelas leis. São extremamente comuns as histórias de assassinos cruéis e impiedosos que, mesmo após serem presos e condenados, não mostram o mínimo arrependimento e até se vangloriam de seus atos. Em contrapartida, muitos se entregam à polícia por não suportarem o peso da culpa que os atormenta.
Por que esses sentimentos surgem em alguns e em outros não? Podem até existir explicações religiosas, místicas ou psicológicas pra isso, mas é difícil entender como o ser humano age de forma tão diferente sob o impacto de uma mesma situação.
Não seria possível, num futuro distante, usar essa "auto-punição" para castigar um indivíduo, ao invés de utilizar as leis, que em muitos casos não provocam efeito moral algum no condenado? Sim, uma aplicação real dos métodos - duvidosos! - retratados num dos grandes filmes de Stanley Kubrick: Laranja Mecânica.
Concomitantemente, até que ponto um homem tem o direito de sentenciar e punir outro através de sua própria consciência? Qual o direito de cada um de nós de interferirmos na mente e na conduta dos outros, mesmo que esses sejam assassinos cruéis?
É, muitas dúvidas... Mas uma certeza: Fiódor era foda! ;D


Ah! O título do post é o nome do livro na versão original.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Não, o blog não morreu. Simplesmente eu não tinha o que escrever e também estava com preguiça. Não que isso tenha passado, mas eu precisava postar alguma coisa... :]
Depois de alguns "fracassozinhos" no vestibular, comecei o técnico em design gráfico. Ainda não tive aula de verdade, mas estou gostando muito.


Ando com muitas dúvidas. Uma hora eu quero e na outra não.
Por que eu tinha que ser indecisa? Taurino é foda! ¬¬

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Utopia, será?

Não gosto de qualquer filme. Sou chata mesmo, nem ligo. Histórias vazias, besteiróis americanos de comédia chula e filmes que de grandiosos só têm os gastos não me agradam. Agora, se um filme me fizer pensar em alguma coisa por horas, pronto: tá na lista dos "meus melhores". :]
Assisti Machuca hoje. Bom, muito bom. Um relato sobre o governo Allende, seguido da mais sangrenta das ditaduras: a de Pinochet. Tudo contado através da história de duas crianças de mundos extremamente distintos. Enfim, não sou crítica profissional. Se querem uma sinopse decente, melhor procurar quem entenda de verdade de cinema. Rs
O que importa - e o que me motivou a postar - é que ele, o filme, me fez pensar como o ser humano ainda é incapaz de promover a igualdade. Ela nunca saiu dos inflamados e engajados discursos pelo simples fato de que somos(sim, eu também) egoístas demais para levá-la integralmente e definitivamente a diante.
Na Revolução Francesa, esse sonho esvaiu-se com a ambição burguesa. Na Russa, com a sede pelo poder. Na Cubana, com o despotismo. E tão cedo não veremos uma sociedade justa e solidária.
O homem ainda não atingiu esse "estágio de evolução". Possuímos tecnologia, progresso e modernidade, mas não temos a capacidade de lutarmos e nos sacrificarmos apenas pelo bem comum.
Mas isso é apenas a minha humilde opinião. ;]

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Dias quentes, mas muito frios.
Dias de horas difíceis, de palavras ríspidas, de noites longas, de paciência rompida, de angústias latentes.

Mas a gente espera os que ainda vão nascer, pra ver se melhora.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Um balanço

2007 foi um ano que com certeza eu não vou esquecer, por inúmeros motivos.
Terminei o colegial, dei muitas risadas, conheci pessoas incríveis, reafirmei amizades de longa data, descobri que meu pai estava doente, abandonei coisas e atitudes que já não tinham utilidade na minha vida, fiz algumas conquistas(a principal ainda está em andamento...rs), entre milhares de outros fatos, feitos e frivolidades. :P
Como sempre acontece, gostaria que algumas coisas tivessem sido diferentes. E essa vontade nunca foi tão forte, porque alguns acontecimentos mudaram minha vida e de várias outras pessoas consideravelmente, de forma não muito agradável. E mudaram, principalmente, meu modo de encarar a realidade.
Não quero fazer muitos projetos para o ano que chega. Sei que minha rotina vai mudar, e muito. Mas pela primeira vez estou adorando a perspectiva de grandes mudanças.
Na virada, entretanto, só tenho um pedido: aproveitar cada instante da melhor maneira possível.

Bom Natal e um novo ano com 365 dias de realizações!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Ela quer trazer recordações. Pra ouvir o ninar de Vivaldi, pra ditar histórias infantis bobinhas, pra ouvir pitacos nos seus desenhos e textos, pra fazer cartões de Dia dos Pais cheios de purpurina e frases feitas, pra enxer o saco até ele levá-la no mar, pra xingá-lo de nojento quando ele mostrar a comida na boca, pra receber as flores de aniversário sempre tão esperadas, pra ouvir as gracinhas que a todo instante ele solta, pra reclamar como o seu Papai Noel troca os presentes que ela pede, pra ouvir que qualquer ajuda dele custa R$1,99, pra comparar as mãos tão parecidas dos dois, pra implicar com o time dele, pra escutar as piadinhas com o time dela, pra levar bronca, pra receber carinho.


Só lembrando de instantes e particularidades. E vivendo o agora sem pensar em quanto tempo ainda temos juntos.
"(...)Ai, não me deixe aqui. O sereno dói..." - Paquetá, Los Hermanos.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Sobre a verdade

O homem gosta de definir coisas abstratas, não? Beleza, felicidade, sucesso, amargura, certo e errado. Pra mim é mera comodidade, pois tudo nessa vida tem seu significado moldado de acordo com os critérios, os ideais e os interesses de cada indivíduo.
Estava me perguntando hoje o que seria de fato a verdade. É algo que 10 entre 10 pessoas exigem das outras: do marido, da mulher, do amigo, do filho, da mãe, do pai, do vizinho, do cachorro, do jornalista, do médico, do presidente e até de Deus. De fato, sem ela o mundo seria uma encenação sem regras e ordem. Mas até que ponto pode-se defini-la?
Gosto da verdade, da sinceridade, da honestidade. E procuro tudo isso nas outras pessoas. Mas minto, como todo ser humano ao menos um dia o fez. Invento desculpas, amenizo palavras duras, omito coisas desnecessárias e inconvenientes - para mim ou para os outros, distribuo sorrisos que não passam da mera responsabilidade social, entre outras atitudes tão verdadeiras quanto as promessas políticas do Maluf.
Até no meu próprio jeito de ser às vezes é difícil distinguir o que realmente é verdade, ilusão ou farsa. Não que eu seja uma atriz, representando papéis de acordo com o ambiente, as pessoas e a necessidade. Mas é fato notório que todo mundo nesse mundo tem um modo de agir diferente em cada ocasião e em cada círculo social.
De verdade mesmo, a gente é só na consciência, o lugar onde ninguém chega e onde ninguém critica o que você é ou o que você faz.
=]

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Bienvenu

Olá! o/
Pode entrar, afrouxar o sapato, sentar-se à vontade e inclusive colocar o pé na mesinha de centro. Nenhuma frescura, proibição ou exigência. :)
Criei esse blog por algum motivo excuso que nem eu sei ao certo. Talvez seja uma forma de deixar fluir coisas que guardo por bloqueio, ou apenas um jeito de passar o tempo neste mundo cibernético. Terapia, hobby, diversão ou falta do que fazer, fica a cargo do "visitante" decidir o que exatamente isso aqui significa.

O "premissa e conclusão" não tem um porquê especial. Há algum tempo li isso na melhor obra de Machado de Assis(meu autor preferido), Dom Casmurro, num trecho sem muita importância que fala do caricato agregado da história, José Dias: "(...)Na rua, íamos calados, ele não alterando o passo do costume - a premissa antes da conseqüência, a conseqüência antes da conclusão..." Gostei da construção e depois acabei lendo um conto do mesmo Machado com a tal expressão: "E a tua conclusão será como a tua premissa: em caso de tédio, antes um marido que nada."
=D

Bem, sem mais delongas...
Até e obrigada pela visita!