O sol batia no rosto, mergulhando no quarto pela fresta da janela. Era bem tarde, mas pra quê acordar? Ali, debaixo das cobertas, o mundo é só a gente e os nossos pensamentos. Só que a obrigação desperta e te joga pra fora da cama, sem cerimônia. Já começa mal.
Quando é assim parece que o mundo decide notar-lhe ou surgir para você. Alguém sempre aparece e você é obrigada a forçar um sorriso falso. Regra da boa convivência, eu te odeio nesses dias.
Então, arruma-se e parte pra rua. Sol causticante, ônibus cheio, trânsito, motorista que pára à 15 km do seu ponto, vendedores ambulantes ocupando toda a calçada, tias com bolsas e sacolas paradas olhando pro nada e atrapalhando sua passagem, correria pra chegar no horário, aula legal mas monótona, gente demais pro meu gosto em todos os cantos, falatório e gritaria, aula monótona - parte 2, voltar cansada, ônibus lotado com retardados que te obrigam a descer e pegar outro, outra condução abarrotada, trânsito, motorista barbeiro, gente parada na porta para atrapalhar quando você vai descer, sinal que não fica verde, motorista que quase te atropela, vizinha puxando assunto, pessoas demais, perguntas demais, silêncio de menos.
Um dia típico de TPM, força máxima.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Conjugando.
Acordar. Colher. Aprender. Suportar. Descansar. Fingir. Comer. Conversar. Hidratar. Defecar. Sorrir. Cantar. Ouvir. Discutir. Inovar. Dormir. Relacionar. Guardar. Descobrir. Lavar. Correr. Olhar. Criar. Incendiar. Procriar. Unir. Morar. Evoluir. Formar.
Ele listava os verbos, ao acaso. Eis que na lista surgiu aquele: o ousado usar. Não veio com manual de instruções nem restrições, o que lhe tornou muito mais atraente.
E ele o apanhou com as mãos, guardou com cuidado e preparou-se para saborear de seus privilégios. Esperou pouco por isso, eis o problema. Despreparado e imaturo, mergulhou nos mares furtivos do verbo, sem leis ou moral.
E daí em diante, ele - o mundo - sofre com gente que usa de autoridade, conhecimento, riqueza, miséria, esperteza, luxúria e poder à favor de seus míseros e egocêntricos interesses.
Ele listava os verbos, ao acaso. Eis que na lista surgiu aquele: o ousado usar. Não veio com manual de instruções nem restrições, o que lhe tornou muito mais atraente.
E ele o apanhou com as mãos, guardou com cuidado e preparou-se para saborear de seus privilégios. Esperou pouco por isso, eis o problema. Despreparado e imaturo, mergulhou nos mares furtivos do verbo, sem leis ou moral.
E daí em diante, ele - o mundo - sofre com gente que usa de autoridade, conhecimento, riqueza, miséria, esperteza, luxúria e poder à favor de seus míseros e egocêntricos interesses.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
E da muralha caiu uma pedra.
Querendo ser rígida, forte, superior a todas as tempestades, sobrevivente de todas as catástrofes. Mas peca por ser real, por sentir e por viver. Não há fortaleza capaz de barrar o inevitável, de controlar o tempo e o destino - coisas tão independentes à sua vontade e invencíveis na luta vã que decretara.
Eis que um dia o vento e a chuva vencem. Sua rigidez e imponência se esvaem nas partículas do ar e uma gota - que nasce dela - escorre por entre seus frisos, umedecendo-a por dentro. A estrutura supostamente tão forte é desmascarada; o interior corroído e abalado aflora, publicando a verdade escondida. Ou não.
Enfim, cai uma pedra: aquela que sustenta toda a construção. Os que olham apenas esperam, temerosos ou solidários, a derrocada final. E ela será um recomeço, nada mais que um recomeço.
Eis que um dia o vento e a chuva vencem. Sua rigidez e imponência se esvaem nas partículas do ar e uma gota - que nasce dela - escorre por entre seus frisos, umedecendo-a por dentro. A estrutura supostamente tão forte é desmascarada; o interior corroído e abalado aflora, publicando a verdade escondida. Ou não.
Enfim, cai uma pedra: aquela que sustenta toda a construção. Os que olham apenas esperam, temerosos ou solidários, a derrocada final. E ela será um recomeço, nada mais que um recomeço.
sábado, 12 de julho de 2008
Por quê?
- Mãe, por que as árvores são tão grandes?
- Porque elas comem bastante. É o que você devia fazer pra crescer também.
- Mãe... Quero saber essas coisas sérias que passam naquele canal chato cheio de animal e com aquele moço que tem voz de filme.
- Tá bom, tá bom! Olha, elas primeiro são sementes bem pequenas, que fi...
- Ah, semente não! Você também ficou falando essas mentirinhas quando eu perguntei como eu tinha nascido e depois a tia Lúcia falou que você e o papai tinham feito coisinhas!
- Mas as sementes da árvore existem mesmo, filha. A vovó compra um monte delas pra plantar no jardim dos fundos. Elas são bem pequenininhas, do tamanho de um feijãozinho.
- Huum, e de onde vem a folhinha?
- Pois então: a semente vai crescendo lá debaixo da terra, começa a criar galhinhos, depois vem as folhinhas... Passados muuuuitos anos, ela vira essa árvore enorme aqui.
- Que legal! Eu podia ficar grandona igual uma árvore, né mãe?
- Aí você não caberia nas roupas, nem na cama, nem em casa. Pessoas não podem crescer tanto, querida.
- Por isso o papai morreu? Por que ele era grandão?
- Não, filha. Papai não era grande como uma árvore. Ele só era um homem alto.
- E por que o papai do céu levou ele?
- Porque ele tinha feito um acordo com o seu pai e os dois haviam decidido que aquela seria a hora dele se juntar aos amiguinhos de lá.
- E por que o papai não combinou outra hora com ele? Por que ele não esperou eu sair da sua barriga?
- Isso só o seu papai e o do céu sabem responder, mas provavelmente foi a melhor escolha. Sabe aquelas conversas que você tem à noite com ele, antes de dormir?
- Aham.
- Pergunta nessa hora. Hoje, por exemplo, você pode fazer isso.
- Mas Deus não me responde, mãe. Ele só ouve e me protege...
- Ele não vai te responder na hora, mas um dia responderá.
- Papai do céu não sabe que pergunta de criança tem que ser respondida na hora?
Um silêncio, uma piscada, uma risada inocente e um abraço para terminar o passeio no fim de tarde primaveril.
- Porque elas comem bastante. É o que você devia fazer pra crescer também.
- Mãe... Quero saber essas coisas sérias que passam naquele canal chato cheio de animal e com aquele moço que tem voz de filme.
- Tá bom, tá bom! Olha, elas primeiro são sementes bem pequenas, que fi...
- Ah, semente não! Você também ficou falando essas mentirinhas quando eu perguntei como eu tinha nascido e depois a tia Lúcia falou que você e o papai tinham feito coisinhas!
- Mas as sementes da árvore existem mesmo, filha. A vovó compra um monte delas pra plantar no jardim dos fundos. Elas são bem pequenininhas, do tamanho de um feijãozinho.
- Huum, e de onde vem a folhinha?
- Pois então: a semente vai crescendo lá debaixo da terra, começa a criar galhinhos, depois vem as folhinhas... Passados muuuuitos anos, ela vira essa árvore enorme aqui.
- Que legal! Eu podia ficar grandona igual uma árvore, né mãe?
- Aí você não caberia nas roupas, nem na cama, nem em casa. Pessoas não podem crescer tanto, querida.
- Por isso o papai morreu? Por que ele era grandão?
- Não, filha. Papai não era grande como uma árvore. Ele só era um homem alto.
- E por que o papai do céu levou ele?
- Porque ele tinha feito um acordo com o seu pai e os dois haviam decidido que aquela seria a hora dele se juntar aos amiguinhos de lá.
- E por que o papai não combinou outra hora com ele? Por que ele não esperou eu sair da sua barriga?
- Isso só o seu papai e o do céu sabem responder, mas provavelmente foi a melhor escolha. Sabe aquelas conversas que você tem à noite com ele, antes de dormir?
- Aham.
- Pergunta nessa hora. Hoje, por exemplo, você pode fazer isso.
- Mas Deus não me responde, mãe. Ele só ouve e me protege...
- Ele não vai te responder na hora, mas um dia responderá.
- Papai do céu não sabe que pergunta de criança tem que ser respondida na hora?
Um silêncio, uma piscada, uma risada inocente e um abraço para terminar o passeio no fim de tarde primaveril.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Happy Beatles Day!

Pra comemorar ouvindo: If I Fell
[Tentei upar o vídeo, mas o blogger ficou de frescura! E obrigada pelas recomendações do post anterior! Perguntinha: quem é a de férias? :P]
sábado, 5 de julho de 2008
Procura-se.
Tô caçando um livro interessante na estante aqui de casa, mas nenhum me agradou até agora. E olha que as opções são muitas. E boas.
Alguém me indica alguma coisa? :D
[Queria mesmo uma viagem... Uns 5 dias só pra mim - ou não, ficadica - seriam maravilhosamente reconfortantes, física e psicologicamente falando.]
Alguém me indica alguma coisa? :D
[Queria mesmo uma viagem... Uns 5 dias só pra mim - ou não, ficadica - seriam maravilhosamente reconfortantes, física e psicologicamente falando.]
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Quatro amigas sentadas na escadaria suja, cada qual com seu afazer e preocupação.
A mais alta, no primeiro degrau, segura três livros sobre Trovadorismo e faz palavras-cruzadas. Seu sonho é escrever uma dessas cantigas de amigo, para poder desabafar sobre aquele que lhe elogiou a inteligência, a simpatia e a boca carnuda, mas que há duas semanas depois do jantar na casa dela sumiu. Ela não quer declarações apaixonadas, pedidos de desculpas acompanhados de flores e beijos ardentes ou qualquer coisa do gênero. Apenas um "oi" via e-mail ou uma sms com 10 caracteres já vale como o mínimo de respeito pelos tantos elogios outrora feitos e pela noite tão boa daquele dia.
Atrás da mais alta está a compenetrada oriental dos olhos verdes ajustando a câmera digital. É daquelas mulheres de fibra, de parar o trânsito e deixar marmanjos de queixo caído. Até quem não gosta de olhos puxados admite-se encantado por ela. Bom, menos ele, que preferiu trocá-la por uma garrafa de uísque e vários quilos de cocaína. Enfim, escolhas... Por um tempo ela chorou, mas sabe? A vida continua e homem tem de sobra. Logicamente, porém, nada disso mudará o fato de que durante 5 anos os dois partilharam da mesma cama e da mesma vida.
A baixinha - a mais falante e com mais história para contar - tenta organizar as coisas na mala, o que não deixa de ser uma atitude improdutiva. Ora, ela nem ao menos consegue organizar as idéias na cabeça, quanto mais seus pertences pessoais. Mas é disso que ela gosta: bagunça, desordem e tudo que há de desajustado no mundo! Conheceu um cara na formatura da prima ontem e já se diz loucamente apaixonada por ele, só que não quer desistir do affair com o marido da vizinha, afinal seu lema é "aventura representa a essência de viver!". As outras não apóiam, mas ela ignora as críticas e alega que se todo mundo fizesse o que dá vontade a felicidade não seria substantivo abstrato.
Por fim, a de óculos e cabelos chanel. No momento, lê uma matéria sobre intervenção urbana. Ela narra em voz alta as partes mais interessantes e tenta explicar para as demais o conceito da coisa. Em vão - quem ainda ouve não entende, não gosta ou não acha legal. Ela desiste e começa a lembrar do último sujeito com quem saiu - gostava dessas coisas. Mas ela enjoou, como sempre acontece. Não é sua culpa, os homens que se tornam repetitivos a partir da 25ª semana de relacionamento. Teoria de socióloga formada, ninguém discute.
No banco em frente pousa um casal de andorinhas. Tão mais simples a relação macho-fêmea entre os pássaros, não?
[Off: O sumiço foi por causa do fim de semestre. o/]
A mais alta, no primeiro degrau, segura três livros sobre Trovadorismo e faz palavras-cruzadas. Seu sonho é escrever uma dessas cantigas de amigo, para poder desabafar sobre aquele que lhe elogiou a inteligência, a simpatia e a boca carnuda, mas que há duas semanas depois do jantar na casa dela sumiu. Ela não quer declarações apaixonadas, pedidos de desculpas acompanhados de flores e beijos ardentes ou qualquer coisa do gênero. Apenas um "oi" via e-mail ou uma sms com 10 caracteres já vale como o mínimo de respeito pelos tantos elogios outrora feitos e pela noite tão boa daquele dia.
Atrás da mais alta está a compenetrada oriental dos olhos verdes ajustando a câmera digital. É daquelas mulheres de fibra, de parar o trânsito e deixar marmanjos de queixo caído. Até quem não gosta de olhos puxados admite-se encantado por ela. Bom, menos ele, que preferiu trocá-la por uma garrafa de uísque e vários quilos de cocaína. Enfim, escolhas... Por um tempo ela chorou, mas sabe? A vida continua e homem tem de sobra. Logicamente, porém, nada disso mudará o fato de que durante 5 anos os dois partilharam da mesma cama e da mesma vida.
A baixinha - a mais falante e com mais história para contar - tenta organizar as coisas na mala, o que não deixa de ser uma atitude improdutiva. Ora, ela nem ao menos consegue organizar as idéias na cabeça, quanto mais seus pertences pessoais. Mas é disso que ela gosta: bagunça, desordem e tudo que há de desajustado no mundo! Conheceu um cara na formatura da prima ontem e já se diz loucamente apaixonada por ele, só que não quer desistir do affair com o marido da vizinha, afinal seu lema é "aventura representa a essência de viver!". As outras não apóiam, mas ela ignora as críticas e alega que se todo mundo fizesse o que dá vontade a felicidade não seria substantivo abstrato.
Por fim, a de óculos e cabelos chanel. No momento, lê uma matéria sobre intervenção urbana. Ela narra em voz alta as partes mais interessantes e tenta explicar para as demais o conceito da coisa. Em vão - quem ainda ouve não entende, não gosta ou não acha legal. Ela desiste e começa a lembrar do último sujeito com quem saiu - gostava dessas coisas. Mas ela enjoou, como sempre acontece. Não é sua culpa, os homens que se tornam repetitivos a partir da 25ª semana de relacionamento. Teoria de socióloga formada, ninguém discute.
No banco em frente pousa um casal de andorinhas. Tão mais simples a relação macho-fêmea entre os pássaros, não?
[Off: O sumiço foi por causa do fim de semestre. o/]
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Visita indesejada
Ela chegou cautelosamente silenciosa. Mostrou-me sua bagagem desagradável e logo depois esclareceu que era tudo mercadoria sem valor.
Pareceu ir embora, contudo dias depois ressurgiu. Mais viva, mais preparada. Riu de um jeito sarcástico, com olhar de prepotência e falsa piedade.
Piscou e elaborou um discurso minuciosamente preparado e objetivo, que me deixou suscetível e desarmada. Conseguiu de mim o que queria, fez de mim sua freguesa e vítima.
Odeio sua presença, senhora Insegurança.
Pareceu ir embora, contudo dias depois ressurgiu. Mais viva, mais preparada. Riu de um jeito sarcástico, com olhar de prepotência e falsa piedade.
Piscou e elaborou um discurso minuciosamente preparado e objetivo, que me deixou suscetível e desarmada. Conseguiu de mim o que queria, fez de mim sua freguesa e vítima.
Odeio sua presença, senhora Insegurança.
domingo, 25 de maio de 2008
O post vai ser musical. Não por preguiça ou falta de criatividade, mas é que o Amarante escreve bem melhor que eu! E sim, eu serei clichê!
Nota: muda tudo pro eu-lírico feminino. 3ª pessoa e vocativo para o masculino, consequentemente! :D
Eu encontrei-a quando não quis
mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pr'eu merecer
antes um mês e eu já não sei
E até quem me vê lendo o jornal
na fila do pão sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá que é tarde demais
que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena
Ah vai!
Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
afim de te acompanhar
E se o caso for de ir à praia eu levo essa casa numa sacola
Eu encontrei-a e quis duvidar
Tanto clichê deve não ser
Você me falou pr'eu não me preocupar
ter fé e ver coragem no amor
E só de te ver eu penso em trocar
a minha TV num jeito de te levar
a qualquer lugar que você queira
e ir onde o vento for, que pra nós dois
sair de casa já é se aventurar
Ah vai, me diz o que é o sossego
que eu te mostro alguém afim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
eu sigo essa hora e pego carona pra te acompanhar
Taí a verdade.
Nota: muda tudo pro eu-lírico feminino. 3ª pessoa e vocativo para o masculino, consequentemente! :D
Eu encontrei-a quando não quis
mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pr'eu merecer
antes um mês e eu já não sei
E até quem me vê lendo o jornal
na fila do pão sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá que é tarde demais
que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena
Ah vai!
Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
afim de te acompanhar
E se o caso for de ir à praia eu levo essa casa numa sacola
Eu encontrei-a e quis duvidar
Tanto clichê deve não ser
Você me falou pr'eu não me preocupar
ter fé e ver coragem no amor
E só de te ver eu penso em trocar
a minha TV num jeito de te levar
a qualquer lugar que você queira
e ir onde o vento for, que pra nós dois
sair de casa já é se aventurar
Ah vai, me diz o que é o sossego
que eu te mostro alguém afim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
eu sigo essa hora e pego carona pra te acompanhar
Taí a verdade.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
A vontade de ser pluma
Estou apaixonada por Milan Kundera e seu A Insustentável Leveza do Ser. Li só a metade do livro, mas me sinto tão seduzida por cada linha, por cada palavra ali escrita que já o defini como uma obra literária para se ter na cabeceira da cama por toda a vida.
Acho que a sedução que o livro exerce sobre mim pode ser explicada por algo bem simples - Milan escreve sobre o que eu sonho em ser: leve.
Eu sou a pessoa presa à razão, à ponderação, à parcimônia, ao pavor do impulso, ao pensar exagerado, ao medo de arriscar... Não sei abdicar do peso, seja ele qual for e independente do quanto me sufoque. Tenho receio da crítica, da censura, do erro e do equívoco, muitas vezes inexistentes ou mesmo insignificantes.
Minha intenção não é agradar ao mundo. O que me prende é uma coisa muito mais particular e subjetiva, que não consigo definir com clareza. É como se houvesse alguém dentro de mim, me vigiando e avaliando, e que eu temesse frustrar. Meu vocabulário parece reduzido demais ao tentar explicar essa minha mania de não agir, de adiar minha vida e ficar pensando nas mil e uma possibilidades que estão contidas em cada escolha e atitude.
Pareço uma criança no primeiro dia de aula, que se agarra à mãe por medo daquela nova realidade, do desconhecido que lhe parece assustador. É isso, eu tenho medo do desconhecido. Mas se eu nunca abdicar disso, se eu nunca me expor ao misterioso e incógnito, serei sempre a mesma criança imatura e covarde.
Bah! Chega de usar este blog como divã de psicanalista. Só estava precisando organizar minhas idéias fora da minha cabeça. Parece que assim eu consigo vê-las de uma maneira mais transparente e compreensível, o que supostamente facilitaria a minha tentativa de "interpretação em primeira pessoa". :D
Daqui 2 dias sou oficialmente gente grande. Bela bosta! Vou continuar a fazer as mesmas coisas, só que legalmente. (Y)
Quero telefonemas, torpedos, scraps, depoimentos, comentários, mensagens telepáticas, seja lá o que for. Não esqueçam de me dar parabéns, porque eu sou rancorosa! u.u
Hahaha
o/
Acho que a sedução que o livro exerce sobre mim pode ser explicada por algo bem simples - Milan escreve sobre o que eu sonho em ser: leve.
Eu sou a pessoa presa à razão, à ponderação, à parcimônia, ao pavor do impulso, ao pensar exagerado, ao medo de arriscar... Não sei abdicar do peso, seja ele qual for e independente do quanto me sufoque. Tenho receio da crítica, da censura, do erro e do equívoco, muitas vezes inexistentes ou mesmo insignificantes.
Minha intenção não é agradar ao mundo. O que me prende é uma coisa muito mais particular e subjetiva, que não consigo definir com clareza. É como se houvesse alguém dentro de mim, me vigiando e avaliando, e que eu temesse frustrar. Meu vocabulário parece reduzido demais ao tentar explicar essa minha mania de não agir, de adiar minha vida e ficar pensando nas mil e uma possibilidades que estão contidas em cada escolha e atitude.
Pareço uma criança no primeiro dia de aula, que se agarra à mãe por medo daquela nova realidade, do desconhecido que lhe parece assustador. É isso, eu tenho medo do desconhecido. Mas se eu nunca abdicar disso, se eu nunca me expor ao misterioso e incógnito, serei sempre a mesma criança imatura e covarde.
Bah! Chega de usar este blog como divã de psicanalista. Só estava precisando organizar minhas idéias fora da minha cabeça. Parece que assim eu consigo vê-las de uma maneira mais transparente e compreensível, o que supostamente facilitaria a minha tentativa de "interpretação em primeira pessoa". :D
Daqui 2 dias sou oficialmente gente grande. Bela bosta! Vou continuar a fazer as mesmas coisas, só que legalmente. (Y)
Quero telefonemas, torpedos, scraps, depoimentos, comentários, mensagens telepáticas, seja lá o que for. Não esqueçam de me dar parabéns, porque eu sou rancorosa! u.u
Hahaha
o/
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