quarta-feira, 22 de abril de 2009

Partida

De todos os amores e de todas as paixões, só aquela restou. Nas outras? A dor da perda, a dor de corno, a dor da separação de consentimento mútuo, a dor do sentimento platônico ou do não correspondido, a dor na falta de dor.
E todas elas se foram. O que lhe restou foi a cerveja sempre gelada, o amendoim e o jogo nas quartas e finais de semana. É, não é preciso terapeuta ou antidepressivos quando se tem futebol. Mesmo nas derrotas.
E ali está ele, de novo sozinho. Seu amor, sua vida: em jogo. Os dias anteriores passaram lentamente, as projeções e palpites rolaram. É aquele sentimento de adolescente (ou de imaturo) apaixonado, que não sabe se confia plenamente na amada ou se mantém a pose como forma de segurança. Mas ele anda confiante, promete se entregar de corpo e alma. E assim o faz.
No dia marcado, lá está o dito cujo. Roupa alinhada, de acordo com a ocasião. As mãos, geladas, transpiram e tremem. Medo bobo, ele diz a si mesmo. Chega no local e espera. Os minutos se estendem, aterrorizando-no. Alguns outros homens tentam puxar papo, mas a garganta dele está seca e sua voz entala entre as amídalas.
É quando ele vê. Entrando, deslumbrante, em preto e branco. Não são 11 jogadores como tentam nos iludir os olhos; é o Corinthians - uma unidade feita do todo da paixão de um torcedor fanático.

5 comentários:

DeLarge disse...

Wi, que lindo. Acredita que eu me identifiquei totalmente com o teu texto? Até, obviamente, falar do Corinthians... u_u" Parabéns, coração.

Toad - Matheus H. disse...

Já eu me identifiquei mesmo depois de falar do nosso amado alvi-negro do Parque São Jorge.
É um amor que torcida nenhuma do mundo pode sentir por seus times. É único.
Amar o Corinthians é ser feliz e se orgulhar, seja o campeonato que for, no estádio que for, com qualquer placar.
Lindo texto Wii!!

JeaN disse...

Bonito mesmo.
Gostei como o começo me enganou um pouco haha.

Ps: Adorei as novas cores do blog. ;D

Felipe disse...

Texto ótimo> as preferências. . .são suas e eu compreendo que nada é perfeito.

Natália disse...

Não é só uma partida