domingo, 7 de setembro de 2008

Da amizade que já é, mas que virá.

As duas se aproximam como imãs, com palavras recatadas que se acumulam na boca - tão prontas para o mundo e para o ouvido alheio ali ao lado. As mesmas músicas tocam em seus respectivos fones de ouvido, os mesmos livros ocupam as mesinhas de seus quartos, os mesmos lugares e eventos recebem suas presenças... E ainda, no entanto, há um muro entre elas, como o de Berlim.
Se encontram, trocam sorrisos. Andam na rua juntas por um acaso da vida, conversam de coisas aleatórias, com idéias e opiniões que se encontram numa grande intersecção de pensamentos. E a afinidade pulsa, reclama liberdade e intercâmbio. Mas elas continuam tensas, recolhidas mentalmente num duelo de entrega e repulsa.
Intercalam entre si momentos de ansiedade por essa aproximação. Outras vezes de receio ou de antipatia. Um misto de sentimentos que só amigos têm.
É, amigas. Porque elas são isso, nada mais que isso. Só lhes falta a oportunidade de deixar fluir plenamente a afinidade que faz sombra entre elas quando caminham lado a lado, num silêncio confidente.

2 comentários:

Dora disse...

eu li e reli esse post algumas vezes desde segunda...mas nãp sei o que escrever porque, na verdade não tenho sabido direio nem o que estou pensando rs.

mas eu continuo lendo, na crença de que um dia eu acabe acordando para o que há na minha própria mente e em consequência compreenda um pouco do que há a minha volta.

bêjo wiii

Natalia disse...

" Um misto de sentimentos que só amigos têm "

E é assim mesmo.