quinta-feira, 9 de junho de 2011

Mergulho

Observou por dias, perdida em pensamentos sobre curiosidades, sentimentos e sentidos. Analisou cada tonalidade, sorveu cada fragrância, experimentou cada textura, saboreou cada gosto, escutou cada ruído e, nas últimas horas, viu essências coloridas que rasgavam a carne com sabores adocicados.
Por conta delas, levantou-se, impulsiva e cautelosa. Correu com leveza ao encontro dessas sensações ou ao encontro de si, porque tudo era também parte dela. A cada passo, dissolvia-se e integrava-se, ao mesmo tempo em que completava-se e unificava-se. Seu corpo, então, virou o mundo inteiro e ela sentiu todas as formas de vida dentro de si. Uma tormenta deliciosa de cotidianos que criou nela um novo ser, agora singular e renovado.
De repente, perdeu o equilíbrio. Foi tragada, envolvida e submergiu. Mas, ainda que sem fôlego e força, tornava-se mais intensa e vivaz. Parecia voar, quando na realidade afundava. E a gradual profundidade - apesar de também constituída de segredo, beleza e extravagância - era sinônimo de ausência. Ausência de oxigênio, de controle, de si mesma.
Assim, desistiu e se entregou. Deixou-se cair na escuridão. Uma escuridão serena.

Morreu afogada. Ou morreu de amor.

3 comentários:

Felipe_ disse...

"Parecia voar, quando na realidade afundava." De amor, suponho. ='S

Milena disse...

é isso mesmo morrer de amor.

Isadora disse...

adoro as cores daqui :)