segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sinta

Gritos, exclamações e insultos são escutados ao longe. Adentrando na intimidade daquele quarto gelado, vê-se dois corpos ativos e tensos. Mergulhados em suas convicções, em seus próprios pontos de vista, sem que exista a possibilidade de calarem-se para ouvirem. Salivas disparadas no ambiente, um suor nervoso dissipando-se pelo ar, cordas vocais agredidas, dedos erguidos em denúncia, gestos grotescos de revolta ou incompreensão. Respiração ofegante, garganta seca, lágrimas contidas ou derramadas sem vergonha. Ranger de dentes, músculos contraídos, sobressaltos e retrocessos. Paira ali uma agressividade mútua, algumas palavras desmedidas e inexistente razão.
Então o cansaço os abate. Ofegantes e fatigados, repousam sobre a cama. Distantes, até caírem num sono perturbado.

Em algum outro lugar, só ouvidos atentos podem captar os sussurros. Mãos deslizam sobre ambos os corpos, a pele arrepia-se no mais suave dos toques. Palavras solitárias preenchem o profundo silêncio e ressoam como poemas, cânticos. Bocas umedecidas encontram-se, separam-se e experimentam sensações, revelando fraquezas tão ternas e delicadas quanto intensas. Falta-lhes o ar, o controle sobre si mesmos: eis a entrega. Cadenciados e harmoniosos, sentem-se leves, quase inexistentes. Ao mesmo tempo, muito vivos. Coração pulsando desregulado, sorrisos íntimos e olhares que invadem-se. Sentidos explorados até o último instante.
Então o cansaço os abate. Ofegantes e fatigados, repousam sobre a cama. Conectados, até caírem num sono acolhedor.

2 comentários:

Nath disse...

Uuuuuuuuuuh! Arrepiou-me.

Acertou na dose de safadeza, ops... erotismo.

Rob Gordon disse...

Sabe o que é o mágico?

A sacada de mudar somente UMA palavra da última frase de cada cena.

Às vezes, a paixão e o ódio estão mais perto do que a gente imagina. Baita texto!

Beijos