sábado, 24 de outubro de 2009

O Encontro

Ela acordou animada, sequer reclamou quando o despertador acordara desesperado e insistente. Arrumou-se com zelo, apreciou seu rosto delicado em frente ao espelho e saiu ritmada pela Sinfonia 41, a Júpiter - última de Mozart.
Caminhou por calçadas deterioradas e sujas enquanto analisava os próprios sapatos vermelhos e os alheios rostos inexpressivos. As nuvens formavam uma cortina à frente do sol e ela notou que logo mais uma certeira garoa deitaria sobre a cidade mal-humorada. O homenzinho de braços abertos do sinal tornou-se vermelho, proibindo-a de atravessar as faixas paralelas marcadas no chão. Encostou-se no poste para aguardar descansada. Nesse instante, porém, ela o viu.

Os dois encontraram-se no olhar. Milésimos de segundos, conectados e invadidos. Duplamente fascinados.

Ela lançou um sorriso tímido, abaixou os olhos timidamente, levantou-os de novo, fitaram-se mais uma vez. Ele pôde sentir seu cheiro, imaginar a textura de sua pele e provar o gosto de seus lábios: previsões. Deu alguns pequenos passos na direção dos olhos maquiados, apresentou-se e deslizou o indicador sobre a face delicada. Sorriu por completo, a envolveu em seus braços e foram os dois até o café da esquina, para conhecerem-se e apaixonarem-se.

Despertou do transe e procurou-o sem sucesso. O homenzinho tornara-se verde, algumas dúzias de pessoas atravessavam as listras paralelas. E ele sumira, como todo bom pretendente transeunte.

2 comentários:

Cláudio DeLarge disse...

No ultimo filme que lembro o qual um casal apaixona-se na rua, "Closer - Perto Demais", a menina é atropelada e o cara termina sozinho e deprimido.
O amor é muito difícil. u_u"

Natália disse...

Mais um desencontro.