Título? No, tks.

O sol batia no rosto, mergulhando no quarto pela fresta da janela. Era bem tarde, mas pra quê acordar? Ali, debaixo das cobertas, o mundo é só a gente e os nossos pensamentos. Só que a obrigação desperta e te joga pra fora da cama, sem cerimônia. Já começa mal.
Quando é assim parece que o mundo decide notar-lhe ou surgir para você. Alguém sempre aparece e você é obrigada a forçar um sorriso falso. Regra da boa convivência, eu te odeio nesses dias.
Então, arruma-se e parte pra rua. Sol causticante, ônibus cheio, trânsito, motorista que pára à 15 km do seu ponto, vendedores ambulantes ocupando toda a calçada, tias com bolsas e sacolas paradas olhando pro nada e atrapalhando sua passagem, correria pra chegar no horário, aula legal mas monótona, gente demais pro meu gosto em todos os cantos, falatório e gritaria, aula monótona - parte 2, voltar cansada, ônibus lotado com retardados que te obrigam a descer e pegar outro, outra condução abarrotada, trânsito, motorista barbeiro, gente parada na porta para atrapalhar quando você vai descer, sinal que não fica verde, motorista que quase te atropela, vizinha puxando assunto, pessoas demais, perguntas demais, silêncio de menos.
Um dia típico de TPM, força máxima.

Conjugando.

Acordar. Colher. Aprender. Suportar. Descansar. Fingir. Comer. Conversar. Hidratar. Defecar. Sorrir. Cantar. Ouvir. Discutir. Inovar. Dormir. Relacionar. Guardar. Descobrir. Lavar. Correr. Olhar. Criar. Incendiar. Procriar. Unir. Morar. Evoluir. Formar.

Ele listava os verbos, ao acaso. Eis que na lista surgiu aquele: o ousado usar. Não veio com manual de instruções nem restrições, o que lhe tornou muito mais atraente.
E ele o apanhou com as mãos, guardou com cuidado e preparou-se para saborear de seus privilégios. Esperou pouco por isso, eis o problema. Despreparado e imaturo, mergulhou nos mares furtivos do verbo, sem leis ou moral.
E daí em diante, ele - o mundo - sofre com gente que usa de autoridade, conhecimento, riqueza, miséria, esperteza, luxúria e poder à favor de seus míseros e egocêntricos interesses.

E da muralha caiu uma pedra.

Querendo ser rígida, forte, superior a todas as tempestades, sobrevivente de todas as catástrofes. Mas peca por ser real, por sentir e por viver. Não há fortaleza capaz de barrar o inevitável, de controlar o tempo e o destino - coisas tão independentes à sua vontade e invencíveis na luta vã que decretara.
Eis que um dia o vento e a chuva vencem. Sua rigidez e imponência se esvaem nas partículas do ar e uma gota - que nasce dela - escorre por entre seus frisos, umedecendo-a por dentro. A estrutura supostamente tão forte é desmascarada; o interior corroído e abalado aflora, publicando a verdade escondida. Ou não.
Enfim, cai uma pedra: aquela que sustenta toda a construção. Os que olham apenas esperam, temerosos ou solidários, a derrocada final. E ela será um recomeço, nada mais que um recomeço.

Chá de Freud, por favor?

Todo dia eu leio o Te Dou Um Dado?, "blog" de fofoca esculachada sobre os famosos e os nem tão famosos assim. Recomendo essa dose diária, porque vc ri e ainda acaba agradecendo por seu anonimato - e pelo mínimo de sensatez que ainda tem.
Enfim, hoje uma das notícias sarcásticas era sobre as mais de 100 pílulas e o chá(?) de ninho de seiláoquê da Glória Maria. Não gosto dela e agradeci por ter sumido do Fantástico (e da minha tv). O que eu fico pensando cá com meus botões é: por que essa fobia de não envelhecer?
A gente, nasce, cresce e aprende que um dia vai morrer. Até chegar no fim da linha, vamos envelhecendo. Não é o processo mais natural de todo ser vivo e a lição mais básica do mundo?
Até os 30 as pessoas me aparecem ver o passar dos anos como um processo de maturidade. Vão ganhando experiência profissional, de vida e adicionando histórias pra contar pros netos - se eles chegarem a existir. Mas aí vem os 40 e há um divisão: os homens parecem menos desesperados, entretanto as mulheres... É acabar os parabéns para a criatura já correr pra perfumaria mais próxima e comprar todos os produtos que prometem rejuvenescer, eliminar rugas e linhas de expressão, firmar a pele do rosto e do corpo e assim vai. Cada um mais milagroso que o outro, e mais caro também.
Me lembro de quando eu ia à academia fazer natação. No mesmo horário da minha aula, na outra piscina, era a de hidroginástica. Um clube de 3ª idade, praticamente: muitas idosas animadas, fazendo exercícios para minimizar ou evitar as dores e aproveitando pra se divertir. Entre elas, porém, existiam aquelas malucas, que faziam também aula de spinning, ginástica aeróbica, musculação, body combat, body isso, body aquilo. Passavam horas suando, depois tomavam banho e vestiam roupas menores que as minhas.
Pra quê? Perder o senso do ridículo vale a pena pra se sentir melhor, mais feliz? Ter 50 e se portar como uma menina retardada de 15 é válido?
Bom, podem me chamar de preconceituosa e chata ou alegar que só critico tudo isso porque sou jovem ainda. Certeza é que acho pura falta de amor próprio, isso sim. E posso até não ser futuramente a mulher mais bem resolvida em relação à idade, mas não vou lutar contra a lei da vida. Se cuidar, melhorar a aparência é uma coisa; fingir ser outra pessoa e tentar voltar no tempo, ficadica, é caso de terapia e prozac.

Por quê?

- Mãe, por que as árvores são tão grandes?
- Porque elas comem bastante. É o que você devia fazer pra crescer também.
- Mãe... Quero saber essas coisas sérias que passam naquele canal chato cheio de animal e com aquele moço que tem voz de filme.
- Tá bom, tá bom! Olha, elas primeiro são sementes bem pequenas, que fi...
- Ah, semente não! Você também ficou falando essas mentirinhas quando eu perguntei como eu tinha nascido e depois a tia Lúcia falou que você e o papai tinham feito coisinhas!
- Mas as sementes da árvore existem mesmo, filha. A vovó compra um monte delas pra plantar no jardim dos fundos. Elas são bem pequenininhas, do tamanho de um feijãozinho.
- Huum, e de onde vem a folhinha?
- Pois então: a semente vai crescendo lá debaixo da terra, começa a criar galhinhos, depois vem as folhinhas... Passados muuuuitos anos, ela vira essa árvore enorme aqui.
- Que legal! Eu podia ficar grandona igual uma árvore, né mãe?
- Aí você não caberia nas roupas, nem na cama, nem em casa. Pessoas não podem crescer tanto, querida.
- Por isso o papai morreu? Por que ele era grandão?
- Não, filha. Papai não era grande como uma árvore. Ele só era um homem alto.
- E por que o papai do céu levou ele?
- Porque ele tinha feito um acordo com o seu pai e os dois haviam decidido que aquela seria a hora dele se juntar aos amiguinhos de lá.
- E por que o papai não combinou outra hora com ele? Por que ele não esperou eu sair da sua barriga?
- Isso só o seu papai e o do céu sabem responder, mas provavelmente foi a melhor escolha. Sabe aquelas conversas que você tem à noite com ele, antes de dormir?
- Aham.
- Pergunta nessa hora. Hoje, por exemplo, você pode fazer isso.
- Mas Deus não me responde, mãe. Ele só ouve e me protege...
- Ele não vai te responder na hora, mas um dia responderá.
- Papai do céu não sabe que pergunta de criança tem que ser respondida na hora?

Um silêncio, uma piscada, uma risada inocente e um abraço para terminar o passeio no fim de tarde primaveril.

Happy Beatles Day!



Pra comemorar ouvindo: If I Fell


[Tentei upar o vídeo, mas o blogger ficou de frescura! E obrigada pelas recomendações do post anterior! Perguntinha: quem é a de férias? :P]

Procura-se.

Tô caçando um livro interessante na estante aqui de casa, mas nenhum me agradou até agora. E olha que as opções são muitas. E boas.

Alguém me indica alguma coisa? :D



[Queria mesmo uma viagem... Uns 5 dias só pra mim - ou não, ficadica - seriam maravilhosamente reconfortantes, física e psicologicamente falando.]

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