domingo, 9 de novembro de 2008

Musicando

Eu tenho uma mania estranha de associar músicas com livros e fatos. Normalmente escolho um playlist para ouvir por duas, três semanas; ou então a seleção de músicas dura até o fim daquela história. Depois mudo de livro e de musiquinhas também.
Sim, sou metódica e cheia de rituais estranhos.
Mas essa esquisitice tem um porquê: é muito bom ouvir determinada música e associá-la com determinado enredo, determinado capítulo. Ouvir Girando na Renda, da Roberta Sá, e lembrar dos encontros amorosos escondidos de Júlia e Winston, de 1984. Superstar, Sonic Youth, como trilha sonora do conto de Woody Allen sobre a anã platonicamente apaixonada pelo homem branco e alto, de Fora de Órbita. Sea of Love (Cat Power) junto com Retrato em Preto e Branco (Chico querido) e as conflitantes relações amorosas de A Insustentável Leveza do Ser. Combinada com os conflitos de Vírginia da obra-prima de Lygia Fagundes Telles, Ciranda de Pedra, Ela É, da banda pouco conhecida chamada Validuaté. Ou então, Você Vai Ver, do meu adorado João Gilberto. Maria Rita cantando Menininha do Portão: ligação direta com Clarissa, criada por Érico Veríssimo.
Killing Lies, dos Strokes, me faz lembrar do ponto de ônibus depois de aulas maçantes no cursinho, com direito a flertes - nada fatais, ficadica. Jack Johnson e sua Do You Remember acompanhando a curtíssima caminhada até a escola onde fazia o ensino médio - e onde passei todo o tempo contando os dias para a fuga de um lugar hostil. A bobinha Lovefool - The Cardigans - e duas retardadas dançando na sala de aula. Copacabana - Móveis Coloniais de Acaju - e o começo do namoro. Da Marisa Monte, Bem Leve, para a lembrança de uma menina de 10 anos dançando de vestido de bolinhas na sala depois do jantar, durante o horário eleitoral. Paquetá, dos saudosos Los Hermanos, e a belíssima Ilhabela. Lily Allen e sua LDN num dia que deu vontade de descer 10 pontos antes e ir andando numa tarde bem agradável. Oil and Water (Incubus) e a fuga de 3 trombadinhas no meio da rua para não ser assaltada. De Vanguart, Hey Yo Silver, e uma Winnie ligeiramente bêbada no Studio SP. Love Will Tear us Apart, do Joy Division e a semana depois do diagnóstico. Cansei de Ser Sexy e Superafim com amigos sem noção. Foo Fighters e sua All my Life: recordação da 8ª série tão boa, não sei bem por que.
Enumerar todas as canções e os livros, acontecimentos, fases a que estão ligados despenderia muito tempo. Só vou recomendar que experimentem a técnica de associação. As histórias e os personagens num dia ou outro ressurgirão provocados por uma melodia. E a vida terá sempre uma trilha sonora particular.

Esse post também teve a sua. :)

3 comentários:

Natalia disse...

OHNNNN que lindo!
Também tenho a minha, aliás.. boa, muito boa a dica.
Como diria nosso vovô Nietzsche " A vida sem música é um erro. "

Deisezinha disse...

kkkkkkk
Você é a minha blogueira preferida mesmo, pequena flor :)
Sempre digo que caminhar sem rumo numa tarde de Sol, é sempre melhor com uma trilha sonora. Fico me sentindo a gorata do comercial :)
As minha indas e vinda s ao Vale do Paraiba são regadas a Jorge Drexler e Norah Jones; a minha pré-adolescencia tem uma trilha sonora grunge e metal; o incio da adolescência foi regado a Beatles - que eu ouvia com a Dani; os 17 anos a Elis e Milton - pq eu já era estranha e era a única adolescente que ouvia isso em 1997... e por aí vai :)

JeaN disse...

Me achava estranho por fazer isso, haha.
Eu li a trilogia O Guia do Mochileiro das Galáxias ouvindo Strokes e agora sempre que ouço alguma música deles lembro de algo do livro. \o/